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IMPLANTES DENTÁRIOS
01- Osseointegração: Evolução e Perspectivas na Odontologia

José Cícero Dinato - Professor Adjunto da disciplina de Clínica Integrada da UFRGS. Doutor em Implantodontia pela UFSC. Mestre em Prótese Dentária pela UNESP – SJC. CRO-RS 6046.

Waldemar Daudt Polido - Doutor e Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. Residência em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial na Universidade do Texas, Southwestern Medical Center at Dallas. Coordenador do Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial do Hospital Mãe de Deus e Mãe de Deus Center. Membro Titular e Coordenador do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. Membro da American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons e da International Association of Oral and Maxillofacial Surgeon. CRO/RS 6784.


"As tendências atuais, comprovadas por evidências científicas, permitem a aplicação de carga imediata em reabilitações de um ou múltiplos dentes, desde que as condições clínicas e radiográficas básicas sejam favoráveis.
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O advento da osseointegração mudou todas as características da Odontologia Clínica Restauradora. Osseointegração, de acordo com a definição de Branemark, consiste em uma coexistência estrutural e funcional contínua entre um material aloplástico e tecidos vivos, de forma simbiótica. Seguindo estes conceitos, ela oferece performance confiável e previsível em longo prazo.

Na Odontologia, a osseointegração começou sua influência a partir de pesquisas realizadas nas décadas de 1960 e 1970, indo em direção ao desenvolvimento e introdução das técnicas cirúrgicas em meados da década de 1980. Mais recentemente, a partir dos anos 90, tem se firmado a necessidade de maior ênfase e impacto nos aspectos protéticos e estéticos. Esta evolução resulta hoje, no início de um novo milênio, em um contínuo refinamento e redefinição dos conceitos de osseointegração. Dessa forma, a osseointegração, aplicada corretamente, oferece inúmeras oportunidades para o tratamento de pacientes.

Como explicar então, de forma sucinta, porém completa, esta série de fenômenos biológicos tão importantes que ocorrem simultaneamente, proporcionando a ancoragem rígida de próteses aos pacientes?

Do ponto de vista de bioengenharia, a reação óssea na região da interface necessita de uma capacidade de remodelação para permitir a incorporação dos componentes não biológicos. As primeiras observações do osso e a regeneração do tecido medular indicaram um potencial para o controle da cicatrização óssea em pacientes edêntulos após intervenções cirúrgicas leves. Estudos experimentais sugerem que uma integração em longo prazo poderia ser estabelecida entre a superfície do titânio, osso e medula regenerados.

Seguindo-se meticulosamente os procedimentos de preparo controlados para minimizar a injúria ao tecido, cargas funcionais sucessivas foram aplicadas.

Como nem sempre encontramos no dia-a-dia do trabalho clínico condições ideais como as que vemos em ilustrações, para que um tratamento previsível de pacientes com qualidades variadas de osso e de ancoragem fosse possível, protocolos clínicos cirúrgicos e protéticos foram desenvolvidos, buscando margens de segurança adequadas, mesmo nas situações menos favoráveis. O resultado foi o protocolo clássico e com altos índices de sucesso de duas etapas de Brånemark.

Mais recentemente, novos estudos mostram que, em situações especiais, o procedimento poderia ser amplamente simplificado. Surgem então os conceitos de carga imediata e de implantes em fase única. A notável capacidade de regeneração e remodelação exibidas tanto pelo tecido ósseo compacto quanto pelo medular, com a carga dinâmica sendo um fator de sucesso predominante, levou à hipótese de que altos níveis de sucesso poderiam também ser alcançados com redução no período de cicatrização e na simplificação dos componentes necessários. Pesquisas recentes relatam 99.5% de sucesso em um acompanhamento clínico de cinco anos de pacientes que foram reabilitados com próteses apenas seis semanas após a colocação dos implantes.

Branemark atualiza os conceitos básicos desenvolvidos por sua equipe, e publica sobre o conceito "Branemark Novum", baseado nos princípios biológicos de carga imediata, nos princípios biomecânicos da rigidez e adaptação passiva da barra protética, culminando com a simplificação e redução de custos do sistema protético. As tendências atuais, comprovadas por evidências científicas, permitem a aplicação de carga imediata em reabilitações de um ou múltiplos dentes, desde que as condições clínicas e radiográficas básicas sejam favoráveis.

Significância para o paciente

Henry (1999) afirma que o espectro da osseointegração não deve ser esquecido. Ela permite o tratamento de todas as idades e categorias de pacientes, podendo substituir um único dente ou todos os dentes, reconstruir pequenos ou grandes defeitos, e utilizar procedimentos simples ou complicados.

Usamos duas situações clínicas para exemplificar estes extremos. No primeiro, um caso de implante unitário. Apesar de um procedimento cirúrgico simples, as necessidades e expectativas estéticas são imensas. A harmonia entre osso alveolar, qualidade e forma gengival, e material restaurador é fundamental. Relação com os dentes vizinhos, potencialização dos materiais restauradores, personalização dos pilares protéticos são algumas das responsabilidades dos profissionais componentes da equipe restauradora. Apesar dos procedimentos serem menores do ponto de vista cirúrgico, a exigência de um resultado eficiente torna mais difícil a resolução do caso. No entanto, após um período de controle de dez anos, o preço biológico a ser pago é uma pequena perda óssea.

No outro extremo, um paciente desdentado total superior, que usa prótese total desde a adolescência, hoje com 38 anos. A atrofia total da maxila (grande perda óssea) é severa, com posição retruída do maxilar, causada pela perda precoce dos dentes. A indicação cirúrgica é de uma cirurgia de osteotomia total da maxila do tipo Le Fort I, com enxerto total de crista ilíaca, para a reconstrução total da maxila. Após uma cirurgia que dura em média 4 horas, sob anestesia geral, o paciente passa por um período sem prótese. Depois de seis meses, são colocados oito implantes, para a confecção de uma prótese total superior fixa. Em mais seis meses de espera para o período de osseointegração, a segunda fase cirúrgica é realizada, e uma prótese total fixa provisória é colocada, com uma barra rígida e passivamente adaptada. A prótese total fixa é colocada, devolvendo estética facial e dentária, função mastigatória eficiente, e segurança funcional e psicológica para o paciente.

CONTINUA

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